Dez degraus de distância, de má escolha, de visão periférica deturpada, de inseguranças várias, de orgulho, de teimosia e coração apertado.
O dia promete inverno e aquelas escadas não puxam nem para cima, nem para baixo, nem para lado nenhum.
Pessoas sem palavras são difíceis de entender. Fica-nos um caminho de silêncio entre uns quantos degraus.
Imagino que o orgulho desce as escadas, imagino que a teimosia se põe de pé e sobe os degraus numa mudança de posições, num reconhecimento de que algo falta, num diálogo tenso, mas compassado, olhos que são ouvidos, ouvidos livres de falsas urgências.
Não sei! A imagem está ao alcance da imaginação de cada um. Para mim, apesar dos nove a dez degraus que os separam, gosto de acreditar que um e outro sentiram sempre que estavam perto.
Conheço a escadaria. O cenário continua igual.
É o mesmo lugar onde costumo ir quando preciso de pensar a sério na vida.

N.B.

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