Esta é uma história muito calórica, que se fez de viagens entre Lisboa e Santo António das A.,  no distrito de Portalegre.
Caloira na Faculdade de Letras de Lisboa ansiava pelo regresso a casa. De comboio ou de autocarro, os quase 300 kms eram feitos à sexta-feira, na companhia do jornal,  O Independente. À chegada, esperavam-me todos, a avó Felicidade, para quem fui sempre e apenas a Menina,  o avô Barradas, os meus pais, o meu irmão, a Mafalda, a Chica, a Joaquina, os amigos e o Dog, o meu pastor alemão.
Guardo excelentes memórias gastronómicas destas reuniões familiares quinzenais. O melhor cozido à portuguesa confeccionado pelos meus pais, os saborosos pratos de veado ou javali, a alhada de cação da avó Felicidade, a sopa de mogango da prima Chica, os bolos da padaria do Sr. Maridalho, o pão alentejano, as migas com entrecosto, as omeletas nos bares espanhóis, em Valência de Alcântara, com o amigo Bonacho, as bifanas na taberna do Sr. João Grande, as filhós enroladas em calda de açúcar, confeccionadas pela amiga Joaquina Gavancha, sempre que lhe apetecia, a ela e a mim, o  arroz doce ao Domingo e o café de cafeteira.
Quilos de amor, muitos gramas de ternura exercitados estrada acima, estrada abaixo, nas tardes de matiné da discoteca, A Cave, ou as aventuras de bicicleta na companhia da Dora, até à Herdade do Pereiro.
Depois o regresso a Lisboa, cheia de mimos, quilos de amor, muitos gramas de ternura.
Qualquer nutricionista prescreveria esta receita, mas não é fácil. Estes ingredientes não se vendem.

N.B.

 

 

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