Entrar na casa de alguém não é o mesmo que entrar na vida de alguém. Há pessoas maravilhosas que permitem que se entre nas suas vidas. Há pessoas que sem saber aguardam uma presença. Lembro-me de uma. Era uma vida desarrumada, a cada canto havia lixo, pouca luz, pouca reflexão, muita coisa aqui e acolá, vazio. Percebia-se o correr do tempo sem objetivos, desacertos com o passado e o instante, aquele em que se encontra. Sem perguntas permitiu que entrasse.
Começaram os dias bons daquele lugar. Viu como se alegrava com as próprias ideias. Pensava e decidia. Ganhava confiança.
Há um lugar no centro de nós, que possuí um mecanismo semelhante a um relógio. É preciso dar-lhe corda, é preciso ativar-lhe o magnetismo. Ao abrir a porta, reaprendeu a receber com alegria e a vestir o tempo com cores e a casa com luz.
Fazemos falta em muitas vidas. Fazemos falta em muitos lugares, sobretudo à medida que tomamos consciência do passar dos anos.
Sem o poder da ubiquidade temos, um outro equivalente, o poder da alegria.
Baixar as barreiras aproxima-nos como cálices que se tocam num brinde. E cria-se alegria, basta pensarmos uns nos outros.
Uma alegria maior.
