Eram três tronos. Um em cada perna e o terceiro era o senhor do “cavalinho”.
Tudo isto resultava do esforço e da paciência, que só um avô pode ter.
O meu trono era a perna direita. A minha prima, que era mais velha, detinha a esquerda. O benjamim, o meu irmão, era o senhor do “cavalinho” e ficava entre o peito do pé e o pé, propriamente dito.
Muitas vezes desejei que viesse um desses bichos papões, um fantasma verde e amarelo, um bicho da selva que fizesse o meu irmão cair por terra, para que eu pudesse ser a princesa do “cavalinho”. Mas tal nunca aconteceu!
Tão mimados que nós fomos! Tão amigos que nós somos!
Sim, porque isto de dividir tronos tem a sua responsabilidade. Sempre conhecemos os limites deste reino e os nossos privilégios.
Por isso, numa tarde quente de Julho, quando nos despedimos daqueles braços fortes, daquelas pernas que foram trono, daquele homem que era o nosso maior herói, eu jurei criar um novo reino.
( Nisto das juras e das promessas é importante saber que o tempo nos reinventa de modos e maneiras que nunca imaginámos.)
Hoje o meu reino é outro, tão diferente daquela promessa ferida, que nos destronou a todos, para sempre.
O meu reino é uma metáfora, onde se palmilham os dias e onde sempre que posso relanço o desejo, de fazer o caminho inverso, como quem anda de marcha atrás. Mesmo consciente de que este é o meu lugar!

 

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