Os três os tronos, um em cada perna do avô e o terceiro no peito do pé que pertencia ao príncipe do cavalinho. O meu ficava na perna direita. A minha prima, mais velha, ficava na perna esquerda. O benjamim, o meu irmão, o príncipe do “cavalinho”, ficava no peito do pé, o que lhe permitia quase voar.
Desejei, muitas vezes, que um bicho papão, um fantasma verde e amarelo o fizesse cair para que, por uns instantes, pudesse ser eu a princesa do “cavalinho”. Nunca aconteceu, dividir tronos tem a sua responsabilidade. Todos conhecíamos os limites dos nossos  reinos e os privilégios que detínhamos. Passados muitos anos, numa tarde quente de julho, quando nos despedimos do avô,   lembrámos esta brincadeira, as pernas fortes, os tronos, sobretudo o homem que fora o nosso maior herói.

Jurei criar outros tronos, novos reinos e nisto das juras e das promessas é importante saber que o tempo reinventa modos e maneiras nunca imaginados. O meu reino é uma metáfora. Muitas vezes desejo fazer o caminho inverso, como quem anda de marcha atrás, mas consciente de que este é o meu lugar.

N.B.

 

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