Afinal, o tempo sossega-nos sempre.

Os solitários perdem-lhe o sentido, os que dizem não o ter, desejam-no como se deseja um homem ou uma mulher.

Vivemos o tempo do “ir indo” e com isto esticamos tudo até mais não.
Há sempre alguém que pergunta: “- O que estás a pensar, a olhar fixamente?!” .
São os que não percebem, que o tempo sossega-nos sempre.
São que não percebem que podemos “olhar” o problema demoradamente, não porque estejamos a raciocinar sobre ele. Não porque estejamos focados na solução. Apenas, porque é necessário fazer uso da sensibilidade para o analisar.

A sensibilidade exige tempo e sossega-nos.

A inteligência racional, não tem paciência para a inteligência emocional. Utilizam combustíveis diferentes.

Olhar, demoradamente, o obstáculo não o afasta do nosso caminho. Olhá-lo, demoradamente, permite encontrar a melhor forma de o contornar. Não basta saber por onde começar, há que procurar o momento certo, o lugar certo.

Penso nisto. Penso nisto, enquanto me interrogo acerca da Confiança e da Garantia, que todos sentimos que nos foge. Sinto necessidade de construir um novo dicionário, onde caiba tudo isto, onde esta liberdade imensa que foi espartilhada em tantos vocábulos desconhecidos, tenha significado e grafia.

Encontrei, num livro* que estou a ler, a expressão:  analfabetos emocionais. Vou incluí-la nesse dicionário.
Enquanto isso, sirvo-me da sensibilidade toda. A mim, o passar do tempo não me sossega.

NB

 

*A Mística do Instante, José Tolentino Mendonça, ed. Paulistas.
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