Não tenho tido muitas oportunidades para tranquilamente me sentar a escrever. E, naturalmente, o blog fica meio deserto.As férias são importantes para descansar. Fazer o que apetece, fazer nada, estar em família, com os amigos.Nestas férias, fiz das caminhadas um ritual diário. Caminhar na areia, à beira mar, é algo a que a geografia da nossa orla marítima convida.Pus a conversa em dia. Sim, porque é preciso mais do que dois interlocutores para se estabelecer uma conversa. É preciso, que a comunicação se estabeleça sem interferências, em canal aberto. Porque são demasiadas as vezes, em que dizemos o mesmo por palavras diferentes, o que constitui motivo de discórdia, de incompreensão, de ruído.Foram muitas as conversas. Falámos de coisas sem importância, outras sem fim, sem remédio. Admirações que desconhecíamos, palavras vãs, dialectos nossos.Com o passar do tempo, temos a mania de achar que os outros, os que partilham connosco os dias, têm obrigação de adivinhar o que pensamos, o que quisemos dizer, o que sentimos, ou precisamos. Pior que isso, achamos tantas vezes que nem é preciso falar, basta um olhar. Somos demasiado exigentes. As palavras nem sempre chegam onde deveriam chegar, onde fazem a diferença.
Voltando às caminhadas e às palavras que lhe marcavam o ritmo. Não me passaram desapercebidos os outros caminhantes, que connosco se cruzavam. Às vezes, pequenas frases proferidas por vozes mais sonantes, interferiam no nosso conversar. O meu interlocutor maravilhava-se e dizia: – ” Apanhas tudo! Não te cansa esse radar?”Decididamente, não.Talvez por isso, ao observar as muitas pegadas que se desenhavam na areia, assinalando tantas direcções, ao observá-las, fotografá-las, tentei reter o que valem estes momentos. Valem por dias de vida, valem memórias certamente. Para mim valem Tempo..Tempo bem vivido.
N.B.
Nas férias, fico sempre com a sensação de Ganhar Tempo. Mas isso, são traços de personalidade, de uma blogger que encontra sempre mais uma frase para escrever.