Fujo à questão. Aliás com esta falta de sol, fujo a todas as questões incómodas, pouco claras que me obriguem a encontrar cá dentro o calor e a luz, que não encontro lá fora.
Não me queixo, mas fujo. Atenta ao caminho, apesar da chuva e do vento ouço o que me dizem, rio-me se me fazem rir e esqueço o que não me interessa. Sigo. Sei dos cruzamentos e dos desvios, das ruas paralelas e dos becos sem saída. Observo com interesse, sofro disso, de interesse. Talvez seja a razão pela qual tantas vezes não olho para mim. Nestes dias cinzentos o que veria? A dificuldade imensa de tentar erguer os planos que fiz?
A solução é subdividi-los outra vez e talvez baste para os revitalizar, de novo. Pelo caminho, olho despretensiosamente a imagem que me devolvem as portas de vidro, os espelhos do elevador, os olhos dos outros, mas não os meus, inconformados cismam em procurar um pouco de céu.
N.B.
