Sabes, daqui vê-se tudo com outros olhos. Os telhados, as janelas, as casas avizinhadas, fazem da Graça o meu bairro de eleição. Conheço a hora a que cada uma descansa. Sim, cada casa é como um relógio e daqui controlo até as horas mortas. Há begónias roxas naquele pátio e por detrás vê-se o rio e a outra margem. É um dos pátios mais fotografados pelos turistas deslumbrados com o azul, o casario, o roxo das begónias. Não se apercebem dos pássaros que descansam entre a folhagem, nem dos ténis do Pedrinho a arejar na varanda, nem do senhor Francisco que enrola outro cigarro e o põe atrás da orelha, nem da Cremilde a pragueja, enquanto limpa as goteiras que caem da roupa do 1º andar.
Instantes, são Instantes que se enrolam aos meus bigodes, enquanto observo. Instantes que contam tantos começos, tantas histórias deste bairro da Graça.  Alguém que invente um final com um destes instantes. E olhou na minha direção, enquanto se espreguiçava.

N.B.

 

 

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