Rabugice e questões de Identidade, poderia ser o título de uma qualquer tese de doutoramento em Sociologia. Não se assustem, é algo mais comezinho e em relação à rabugice cabe saber que me questionaram:
– Andas rabugenta?
A resposta, naturalmente, pertence a quem fez a pergunta.
Vamos ao que interessa, quatro anos a “entregar e recolher” uma criança no mesmo sítio, com as mesmas pessoas e ser tratada de “mãe isto, mãe aquilo“, parece-me desadequado.
É que nestas coisas da identidade sempre fui preciosista. Não sou dada a diminutivos, nem trocadilhos de infância.
Vai daí, pareceu-me bem corrigir:
– Natália, chame-me Natália.
Do outro lado, um meio sorriso e lá me tratou pelo nome. Soou muito melhor.
Desengane-se quem pensa que sou fã do meu nome próprio. Nada disso.  Reconheço, apenas que a identidade de cada um contempla um nome próprio e um apelido. Talvez por isso, quando me casei recusei acrescentar outro àquele que me foi dado pelos meus pais. Nunca percebi a necessidade de mais um rabisco na assinatura.
Claro que,  também sou a mãe da Laura e a filha do João e da Glória, a neta da Felicidade, a sobrinha do Manuel, a cunhada da Teresa, a irmã do João, a vizinha da Isabel. E na soma de tudo?

Sou Eu. Rabugenta!

 

**Publiquei pela primeira vez este texto em 2013 no facebook. Hoje, decidi publicá-lo aqui, depois de assistir à peça “40 e então?”, e ao ver a fantástica interpretação da Fernanda Serrano, sobre este tema.
Autora

Escreva um comentário