Ser protagonista era um dos nossos sonhos de adolescente. Lembras-te?!
É preciso crescer, amadurecer, para entender esta coisa de ser protagonista. Ao contrário do que muitos pensam, pouco ou nada tem a ver com protagonismo, com ser famoso ou algo do género.
Nós os dois sabíamos. Partilhávamos o mesmo palco. Vivíamos de vontades e ilusões que ora se colavam à pele, ora se desprendiam. Eram perfeitos estes momentos.
A capacidade de reinventar, de ir em frente, não tinha freio. Cada um com seu estilo, éramos protagonistas.
Os anos foram passando, houve desacertos com a vida e com os caminhos traçados. Continuamos a partilhar o mesmo palco. Há dias em que nos disfarçamos de banal e somos coisa diversa.
A tarde e a más horas subíamos a avenida, vá-se lá saber como. Éramos assim, lembras-te?! Eu punha-me a imaginar o futuro, dava-me para isso. Um entusiasmo que me acelerava as ideias e só visualizava sucessos. Tu não, tu sempre foste um pouco desmancha prazeres e dizias: – Estás com os copos, pá!
Eu acreditava na tua pseudo lucidez, mas por pouco tempo. E lá subíamos a avenida, abraçados, amparados, desavindos, às vezes.
Éramos uns gatos. Digo-te, éramos uns gatos.
NB
***Mas foste tu, que me ensinas-te que o protagonismo também se faz de maturidade e essa é uma dor, que alguns evitam a todo o custo. Faz parte da construção da peça, das cenas, como no teatro.
