Gostava de saber tocar um instrumento. Gostava de tocar bateria em vez de teclar o texto. Tocar bateria num solo ruidoso, fantástico que me ensurdecesse a mágoa, de cada vez que me demorasse lá. Emociona-me um Phil Collins ou um Rick Allen, dos Def Leppard, quando transformam a bateria na melhor interpretação da vida e das emoções.
Não há solidão nem tristeza, frustração ou vazio que rompa um solo de bateria.

No teclado do computador fica um tributo, uma espécie de imposto que se paga por cada palavra que se escreve, cada frase que se constrói. Há de haver sempre múltiplas interpretações.
Há dias em que penso não ter razões para me arrepender de nada. Não há razões. Deixei-as todas para trás.
Há dias em que olho para trás e não me conformo. Olho e encontro-me em lugares errados a deixar o meu melhor. Eu e a sorte temos amigos comuns, mas não nos conhecemos.
Então. pouso o corpo, ofereço-me ao solo de bateria. Instigo-me a perceber a harmonia e o ritmo que vão dos braços às mãos e ao resto.
Convenço-me que há um lugar certo, onde ainda não cheguei.
Convenço-me que há muitas mais razões para a frente, do que todas aquelas que deixei para trás.

N.B.

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