Nestes dias, que oscilam entre o muito quente e o ventoso há partículas de preguiça, no ar. Se não tivermos atenção podemos levar uma para casa. Não acreditam? Pois, aqui fica um desses caso:
“Caiu sem estrondo, a preguiça, na máquina de fazer algodão doce. Muito leve, foi um vento que lhe deu e sem saber como, girava e rodopiava no meio do melaço, cor de rosa. Tentou agarrar-se a um pau que parecia disposto a dar-lhe a mão e a tirá-la dali. Mas não, foi apenas uma ilusão. O pau apenas facilitou a teia de açúcar que, entretanto, se formou.
– Credo, que é isto?- interrogava-se a preguiça, dentro daquele olho de tornado cor de rosa. Muito tonta, a desfalecer viu-se feita numa enorme nuvem de algodão.
Não refeita do susto, foi parar à mão de um garoto, que insistia:
– Avô dá cá, que eu não deixo cair.
E sem ter tempo de reagir, já marchava boca a dentro do menino, do avô e do cão que pela trela os seguia, abanando a cauda e lambendo os bigodes pegajosos, do algodão com preguiça!”
Inventei esta história para explicar à minha filha mais nova, que tem de lavar os dentes todos os dias, porque a preguiça mete-se na comida, nos doces em particular, e depois ficamos tão satisfeitos que não nos apetece fazer nada. Não sei, se fui pedagogicamente correcta, se faltei completamente à verdade, se exagerei, digam-me vocês?!
No entanto, num dos poucos momentos, em que me deito no sofá a ver televisão, já ouvi uma frase cheia de sabedoria:
“- Engoliste alguma coisa com preguiça, mãmã?”
N.B.
