Era assim, o São Martinho.
Um avô que assava o magusto num assador de barro queimado pelos anos. Uma avó que fazia Bolinhos Fritos e uns netos em alvoroço, que em coro perguntavam:
 – Já estão avô? Podemos provar?
E neste quadro havia um vigilante, grande, de patas estendidas com ar manso e esperto de quem sabia que lhe tocaria um bom quinhão. O Dog, chamava-se Dog,  o pastor alemão que se contentava com  as castanhas “com recheio” e eram sempre muitas.
Era isto, o São Martinho de há muitos anos atrás.

 

 Hoje, também, haverá castanhas, assadas num tabuleiro no forno. Haverá Bolinhos Fritos, agora feitos por mim. Contarei, mais uma vez, às minhas filhas estas memórias. E entre risos, corrigir-me-ão a narrativa, porque com o passar dos anos enfabulo alguns detalhes, que as garotas de memória bem fresquinha, não deixam passar.

 

Que pena me dá, que nesta  nossa forma de viver, não tenhamos podido manter-nos próximos dos avós, para também elas viverem as tradições  e as histórias partilhadas pelas vivências em comum.

 

Num lugar qualquer da memória ficou um São Martinho que será para sempre assim.

Já cheira a castanhas. Vou indo para provar a água-pé.

N.B.

 

 * Hoje é noite de S. Martinho. Os Bolinhos Fritos da avó Felicidade estão quase iguais.

 

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