” Cão Como Nós” é o título de um livro de Manuel Alegre. Li-o há muito tempo e guardo-lhe boas memórias, ou não falasse de um cão e dos afetos que os uniram para sempre, ao cão e ao dono.

Houve sempre cães em casa dos meus avós e dos meus pais. Na minha casa a decisão foi mais complicada. A Daisy, a nossa cadela, faz parte da família há seis anos. Este é daqueles temas, em que é preciso ter, ou ter tido um animal para compreender a enormidade de emoções envolvidas. Alegria, gratidão, afeto, companheirismo, lealdade, amizade, amor. Partilha sem reivindicações.
Hoje não escrevo sobre a Daisy,  nem escrevo sobre os animais que preencheram a minha infância e adolescência. Hoje trago, ao “Escreve-me Devagar”, um olhar canino, que surpreende. Que sem questionar guarda em si a dor maior e a alegria esfuziante do controverso mundo dos humanos, tão desavindos nas emoções.
O olhar que lembra o lado bom da vida, o melhor lado, a luz que dá maior brilho ao perfil.
Se não soubermos captar estes momentos, a vertigem dos dias robotiza-nos. Perde-se o encanto. Sobreviverá o animal que há em nós, mas desconfio que não passará de mais um domesticado social.
Este é um olhar que acolhe.


Na realidade, a minha intenção era mostrar-vos o olhar que aguarda.
 Um cão como nós!

N.B.


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