No calendário ainda é Verão e lá fora, na rua, também. Mas aqui, frente ao computador o Outono já faz aproximações, mais ou menos bruscas, intromissoras, desordeiras.
Estou há três quartos de hora a querer começar estas linhas, que ora se prendem ao silêncio da casa, ora desobedientes e curiosas se deixam levar pelo barulho das máquinas, que cortam o asfalto na rua perpendicular à minha.
Onde anda a minha capacidade de concentração? Ou será que me enchi de nostalgia e me tolheu as palavras, aprisionando-as ao Solstício de Verão?
Começaram as aulas. Afinal é só isso. Afinal, isso é muito.
Isso é o (re)aprender da necessidade de organizar o quotidiano. Quem tem filhos percebe o porquê desta frase, tão “by the book“.
Este dia é uma convocatória para pais e filhos e podia fazer-se acompanhar do ribombar dos tambores e da fanfarra, não para anunciar a festa, mas o final das festas.
Retomar rotinas, horários a cumprir, encostar a traquitana electrónica, emprateleirar redes sociais e afins nos fins de semana. É uma logística duríssima.
É isso, que cria esta espécie de vazio e me emperra o vocabulário. Mas é preciso continuar a escrever palavras para dar a outros, certezas que não temos.
Não me interpretem mal. Também eu, quando leio o que escrevo, muitas vezes me surpreendo com a clarividência, da palavra escrita.
As minhas filhas, uma a frequentar o 1º ciclo e a outra quase a terminar o secundário, “obrigam-me a jogar em vários campos”, a atender a diferentes “campeonatos”. Não é fácil. É o que é!
É preciso estar à vista, estar visível, sem receios nem constrangimentos. Usando da gíria desportiva, “acompanhar os atletas”, nos treinos e nos jogos, sempre que possível. Aplaudi-los, incentivá-los, mostrar descontentamento, penalizá-los se for caso disso. Festejar os progressos e as vitórias.
Funciona e às vezes, não. Baralhei alguém?!
Começa tudo de novo, como o Solstício e o Equinócio. É a vida a saltar de ciclo em ciclo. Pelo meio, somos nós e eles a aprender.
N.B.
