O amor vê-se.
Sim, o amor tem uma sintomatologia fácil de diagnosticar. Bastou-me olhar para ela, pálida, quando o viu dirigir-se a nós. A palidez resulta de uma qualquer vasoconstrição que nos retira a cor ao rosto, depois vem o aceleramento cardíaco e alguma sudação.
O amor vê-se.
Os amigos percebem quando nos apaixonamos e lá em casa ninguém ignora a diferença. O sorriso torna-se um adereço natural, há outro olhar, outra tão alegria, fica-se mais bonito. Se existisse uma Teoria do Divertimento, diria que se manifesta através do corpo quando estamos apaixonados. O corpo regista-se num motor de busca, que só encontra as coordenadas positivas para a sua existência.
Dizem que o amor é louco. Poderia não o ser?
O amor até pode ser cego, sensivelmente idiota, absolutamente arrebatador, desnorteado e aventureiro, do outro mundo e tão deste, mas tem de ser louco.
A loucura não se diz, é como o amor sente-se. E se for muito louca essa loucura, se houver um desarranjo, se o amor se desvanecer no corpo, como a palidez que cobriu o rosto, então conserta-se.
Há conserto para um coração partido?
A sintomatologia de um coração partido é um quadro mais complicado de analisar. Tem conserto, mas há quem escolha outras terapias. Há quem se torne nómada de coração, quem fique descrente, quem aceite o conserto e fique bem.
O amor vê-se!
Não é uma ideia ou frase bonita, é uma descoberta. É isso, o amor é sempre uma descoberta.
N.B.
