Uma linha horizontal dividia o lado direito, do lado esquerdo da tabela. À direita perfilavam-se palavras de A a Z, alinhadas na vertical. À esquerda sucedia o mesmo e a coluna funcionava como um espelho. Ali, encontravam-se os Sinónimos referentes a cada palavra da coluna contrária. Dir-se-ia, que o arquiteto deste alinhamento pensara sabiamente na estética, na percepção e facilidade técnica, na leitura e na ilusão do conceito de perfeição.
Um dia aconteceu algo absolutamente anormal e extraordinário. Uma das palavras levantou a voz e questionou o porquê das duas colunas, quando ambas traduziam o mesmo conceito sem introduzir nenhum dado novo, capaz de fazer refletir. Foi um alarido.
De súbito, todas as palavras contestavam a tabela. Algumas gritavam palavras de ordem: ” Unicidade, não é Dualidade“,” Queremos ver além dos Sinónimos” e outros slogans, mais ou menos criativos e revolucionários.
Foi assim que surgiu a terceira coluna da tabela, a coluna dos Antónimos. Foi assim que colapsou o monopólio do espelho e se deu inicio à era da clarividência e das dificuldades. Por cada verdade a mentira e a alegria conhecia o seu antónimo, a tristeza. A Paz conhecia a Guerra e sucessivamente.
A tabela ficou equilibrada, adquiriu verossimilhança, humanizou-se. Falta conhecer as consequências da renovada tabela. Desta forma imperfeita.

N.B.

 

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