Nem sempre há um começo. Parece estranho, pouco lógico, mas há coisas que o são muito antes de qualquer começo.
Por isso e procurando ser simples, o que é difícil à natureza humana, tudo se resume ao amor e à falta dele. Quando se ama cuida-se e quando tal não acontece, simplesmente não se cuida.
Todos os dias os telejornais se enchem deste enorme protagonismo dos que não cuidam, dos que se regem por valores contrários ao amor. São os senhores disto tudo, do rácio, da cobiça, os tutores dos outros, dos que executam uma matemática sem piedade, rígida, sem lugar a sentimentos, emoções. Não há espaço para o amor, logo não há lugar para cuidar.

O universo tem os seus mistérios, tem uma ordem própria que não se compadece com os que mandam sem cuidar, nem com os que obedecem sem fazer cuidado. E quando os ventos alísios dão lugar a massas de ar frio, quando a Verão dá lugar ao Outono, quando uns gritam e outros calam. Temo que estejamos a meio de algo que ainda não começou, que espalha a surpresa e a dor, que nos impede de desfrutar a felicidade das pequenas coisas.

Assim nasce o paradoxo. A ideia de que há um movimento que contrariamente à sua definição,  não avança. É literalmente  empurrado pelos que calam e pelos que gritam, pelos que cuidam e pelos que não o fazem, na procura de visibilidade. Seria extraordinário que esta visibilidade se traduzisse em CUIDAR e que ocupasse todo o ecrã da televisão.

N.B.

** Fica o link de um dos vídeos de Mickael Jackson ” They don´t care about us“. Enjoy:)

http://www.youtube.com/watch?v=QNJL6nfu__Q

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