Sem pressa, mas em forma de síntese os meus post-its entregam recados, trocam beijos por tarefas, varrem mal entendidos, questionam e respondem a perguntas que se esqueceram de acontecer. Sempre foi assim. Escrever é uma forma de estar, de me ausentar, de me encontrar e tantas vezes de encontrar os outros, aqueles que estão aqui ao lado. Quando avaliava os testes dos meus alunos, certo ou errado não era suficiente, havia sempre uma lista de pequenas notas de incentivo, de estupefacção. Resultava.

A mania mantém-se e os papelinhos com recadinhos, miminhos ou ralhetes proliferam nesta casa e parece que o contágio é positivo e saudável. Por isso, depois de um desajuste entre mãe e filha  recebi um pequeno texto que terminava com esta citação: ” O coração das mães é um abismo no fundo do qual se encontra sempre um perdão”- Honoré de Balsac.

Saber usar as palavras parece-me uma boa herança, aliás uma boa educação é tudo o que lhe posso dar, o resto conquista-se.

Um papel e uma palavra podem ser o princípio da criação, às vezes a palavra que se segue é uma surpresa até para quem a escreve. Acontece-me.
Qualquer um cabe dentro dele, qualquer um consegue estar à vista. Já pensaste o que cabe num post-it?
N.B.
Autora

1 Comment

  1. Por aqui se vê que os genes estão lá fresquinhos e com muito sabor.É tão bom sentir isso …Parabéns.

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