Há muito que ansiava por este momento. Houve ocasiões em que me convenci, “É desta, é hoje!”. Mas não, nem ladrão, nem oportunidade, nem sorte. Uma coisa é certa, sabia que o dia ia chegar.  As insónias são minhas companheiras de quarto e naquela noite quando ouvi um ruído, fiz ouvidos de tísica e num movimento supra sónico voei da cama até à sala. E zás, apanhei-o em cima da mesa.
Desde menina que gosto dele, mais que isso, adoro-o. Foi um amor egoísta que me levou a estender-lhe a armadilha. Ele reagiu sereno. Os olhos fixos nos meus deixavam escapar algum receio, tudo nele era azul, o pelo, da cor do meu pijama, dos meus olhos e do momento, azul. Contei-lhe que o conheço desde que os Marretas chegaram a Portugal, que as minhas amigas diziam que eu parecia a Miss Piggy, quando abria muito os olhos e falava alto, até brincavam que o sapo Cocas, um tótó lá do liceu, gostava de mim. Tudo mentira. A minha paixão sempre foi o Monstro das Bolacha, tu. O monstrinho azul estava mudo, incrédulo com a minha confissão. Ofereceu-me a última bolacha do frasco e permitiu que lhe tirasse uma foto para o facebook, depois lembrou-me que posso ver os Marretas no Youtube. No final, cantou baixinho manaman  tuturutu e, sem me dar conta adormeci.

De manhã, a minha filha perguntou-me em tom de repreensão:  – Mãe, foste tu que comeste as bolachas? Com ar de quem não sabe o que dizer, respondi baixinho:  – Foi o Monstro das Bolachas.


N.B.

 
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2 Comments

  1. José Eduardo Responder

    Um encanto descoberto com algum tempo de atraso, mas quando o resultado final é bom/óptimo, chega-se sempre a tempo.
    Muito obrigado por me fazeres emocionar e sorrir..José Eduardo

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