Estou aqui. É aqui que vou continuar. Pode vir o passado como um rio desgovernado, disposto a mostrar-me o que não fiz, o que falhei. Não me demoverá.
É aqui que desagua o futuro que me pertence. Não quero sequer escutar se estou preparada, se tenho força, se dói a espera, se…
Dei ordem aos mais de seiscentos músculos para não vacilarem. A melhor das vidas corre aqui, onde firmemente me agarro. Um fluxo de expectativas, ideias novas, projectos antigos. Desaguam coisas raras. Salpicam o corpo emocional, tendões, músculos, ventosas que me prendem em determinação, em teimosia.
E deixo que saibas de mim, que me vejas em contraluz. Escondo as dúvidas, quando baixo a guarda e já não sei quem é esta miúda. Segredas-me o que não sou e não me importo. Agora é inútil dar ordens ao corpo. Não me obedece.
A atracção não passa só pelo corpo, vem de dentro, espalha-se à superfície pelo maior órgão, a pele.
Sabemos que é assim. Que o desejo nos domina, que és o meu passageiro do fim do dia, que somos gente feliz, cheia de dúvidas. Que não sabemos como despedir-nos, se com um beijo na cara ou na boca. Mil pretextos para alimentarmos as nossas razões.
Eu fico aqui, onde desagua o meu futuro. Tu sabes que dói tanto ceder como fugir. Voltas sempre, enquanto carinhosamente te digo: – Não me distraías, senão morro!
N.B.
