Há pessoas escondidas na minha escrita.
Estão lá, onde só eu as sei encontrar, onde as encontro sempre que preciso. Enquanto escrevo não há dias contados, nem há o dia seguinte, nem o outro depois, nem todos os dias…
Há apenas, um tempo de viagem: viajo ao passado e ao futuro, envolvida no presente. E volto sempre, mais Eu.
Tudo o que fica no papel é como que um alcançar-se na corrida, correndo com o pensamento mais que o tempo.
Imaginemos o absurdo. Imaginemos que nos adiantamos à própria corrida.
É verdade, só assim nos conheceremos e só assim se podem guardar os outros e nós mesmos, em cada pensamento, cada frase.
Chamo-lhe um “Tempo de luxo”, quase igual ao daqueles que se sentam a apreciar um pôr-do-sol, um cão a correr na praia, uma bica na esplanada, um livro no sofá, um céu estrelado. O tempo é mesmo um luxo, saber geri-lo uma verdadeira arte.
Tirar prazer do que nos faz feliz, até pode ser um pecado, mas nestas minhas corridas, aprendi que também se pode fugir do inferno.
N.B.
