Felicidade, a minha avó chamava-se Felicidade e por isso este substantivo tem um rosto, cumpre muito mais do que a definição que o dicionário lhe atribui.
Tive a sorte de ter uma Felicidade, uma avó sempre absolutamente presente, até ao momento em que se esqueceu de mim! Nos últimos anos de vida esqueceu-se de mim. Ainda hoje me custa a aceitar esta amnésia, este apagão que me tornou aos olhos dela, a senhora que a visitava, ao invés da menina com quem ela sempre se preocupava. Certamente, guardou o melhor de mim e a minha imagem adulta não se adequava ao seu sentir. Certamente!
Muitas vezes, procuro no meu rosto um traço dela, quero tanto ter na minha fisionomia traços dela, traços de todos os que me amaram e eu amei, que já não estão fisicamente comigo. Isto, deve ser algo que só passa na cabeça de uma pessoa quando ultrapassa a barreira dos quarenta?! Que seja. Que seja, como mudar de pele, acrescentando em nós a pele daqueles que partiram. Que seja poesia, que seja autobiográfico, que seja intimista este texto, porque nada é mais avassalador do que a saudade, quando até das coisas que mais nos irritavam sentimos falta. Tenho muitas saudades dela…
Muitas vezes, procuro no meu rosto um traço dela, quero tanto ter na minha fisionomia traços dela, traços de todos os que me amaram e eu amei, que já não estão fisicamente comigo. Isto, deve ser algo que só passa na cabeça de uma pessoa quando ultrapassa a barreira dos quarenta?! Que seja. Que seja, como mudar de pele, acrescentando em nós a pele daqueles que partiram. Que seja poesia, que seja autobiográfico, que seja intimista este texto, porque nada é mais avassalador do que a saudade, quando até das coisas que mais nos irritavam sentimos falta. Tenho muitas saudades dela…
Faleceu no mês de maio e não sei o dia (minto). Apaguei-o da minha cabeça, não me interessa, guardei apenas o mês. Mês de Maria.
A minha avó teve uma vida muito longa, faleceu aos 96 anos, sempre na companhia da família. É uma história com final feliz, que um dia tratarei de reinventar para património dos bisnetos. O monitor do computador reflecte o meu nariz vermelho, fica sempre assim quando me emociono, tal como ficava o dela. Encontrei um traço teu no monitor do meu PC avó.
N.B.
A minha avó teve uma vida muito longa, faleceu aos 96 anos, sempre na companhia da família. É uma história com final feliz, que um dia tratarei de reinventar para património dos bisnetos. O monitor do computador reflecte o meu nariz vermelho, fica sempre assim quando me emociono, tal como ficava o dela. Encontrei um traço teu no monitor do meu PC avó.
N.B.
(Escrevi este texto no dia 9 de Maio e partilhei-o na minha página do facebook, em jeito de homenagem. Partilho-o aqui também, pelo mesmo motivo! Tenciono fazer o mesmo com outros textos que publiquei por lá.)

1 Comment
A tua avó estaria orgulhosa das tuas palavras, mas acredito que algures na vastidão do universo ela as sinta e sorria, sorria por te saber feliz, por te saber saudosa e por saber que afinal tem alguém que um dia será a imagem dela!!
Sabes que me arrancaste as lágrimas a primeira vez que li este texto e pela segunda vez não posso impedi-las de cair ao lembrar-me das minhas avós, uma que vela por mim e outra que está longe, de quem me vejo privada e que tanto gostaria de abraçar neste momento…
Beijinhos amiga